quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Elton John - O homem foguete explicado em números

Elton John aterra em Portugal pela terceira vez, e Jorge Manuel Lopes pede a todos os santinhos que não traga “Nikita”.

Um homem inglês de 1,69 metros chamado Reginald Dwight, de vozeirão na proporção inversa da saúde capilar, pouco amigo das dietas e apaixonado pela música da América (da negra do sul à bronzeada da costa oeste e à prateada de Las Vegas) anda a cantar e a entreter audiências há mais de 40 anos.

Usa o nome Elton John, é dos artistas mais bem sucedidos de sempre da música popular, e aproveita o aniversário redondo de carreira para se meter numa digressão que o traz de volta a Portugal no domingo. Não se sabe se David Fonseca vai subir ao palco do Pavilhão Atlântico para cantar “Rocket Man” em dueto com o criador, mas era bonito, não era?

No percurso de Elton John cabem muitos números. Como estes:

95 O número de semanas que “Nikita” vegetou no primeiro lugar do top português de singles em 1985 para 86 – e se não foram

95 semanas, só Deus sabe como pareceu. Sábado à tarde atrás de sábado à tarde, o Top Disco da RTP1 fechava com o pesaroso anúncio do apresentador (António Duarte e, salvo erro, Marcos André), seguido da imagem de Elton John no seu Bentley Continental vermelho descapotável, fotografando a esbelta oficial Nikita na sombra do Muro de Berlim. Nikita, a mulher de olhos claros, reprimida pelo mesmo regime que mantinha o leste europeu a toque de caixa. Nikita, o foco da fantasia romântica do à época ainda oficialmente bissexual Elton John. A mistura de humor camp com geopolítica, originalmente incluída no álbum Ice on Fire, incendiou as listas de vendas do mundo. Assim se prova, caros leitores, que os anos 80 não foram só néons coloridos, bons penteados extravagantes e sintetizadores a cheirar a novo.

40 São os anos de carreira que Elton John celebra na digressão que o traz pela terceira vez a palcos portugueses. A tour chama-se Rocket Man e aterrou na Europa, via Irlanda, a 6 de Junho. Os 40 anos são medidos a partir da edição do seu primeiro álbum, Empty Sky, que chegou às lojas britânicas a 3 de Junho de 1969. Um álbum que passou despercebido.

37 Milhões de unidade vendidas em todo o mundo por “Candle in the Wind 1997”, fazendo dele o single comercialmente mais bem sucedido de sempre. A balada havia sido concebida em louvor de Marilyn Monroe e gravada em 1973, mas a morte de Diana Spencer num túnel de Paris, a 31 de Agosto de 97, levou John e Bernie Taupin, o seu parceiro de sempre na escrita de canções, a fazerem uma versão em louvor da Princesa de Gales. O tema foi tocado a 6 de Setembro na Abadia de Wesminster, durante o funeral de Diana, e uma semana depois começava a chegar aos primeiros lugares das tabelas de todos os continentes.

Assim se prova, caros leitores, que os anos 90 não foram só descargas de batidas em raves, álbuns conceptuais dos Radiohead e canções britpop ouvidas como goladas de cerveja.

Jorge Manuel Lopes, Time Out
http://timeout.sapo.pt/news.asp?id_news=3768

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