segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Os sucessos mais pedidos


Disco 1:

Viagem pelos anos 60 e 70

1.Let's go to San Francisco / Flowerpot Men.

2.

 

Une belle histoire / Michel Fugain.

3.

 

Winchester cathedral / New Vaudville Band.

4.

 

Everybody's talkin' / Nilsson.

5.

 

Monsieur cannibale / Sacha Distel.

6.

 

Oh, pretty woman / Roy Orbinson.

7.

 

Les Cornichons / Nino Ferrer.

8.

 

Poupée de cire, poupée de son / France Gall.

9.

 

Rivers of Babylon / Boney M.

10.

 

She's in love with you / Suzy Quatro.

Estrelas românticas

11.

 

Midnight lady / Chris Norman.

12.

 

Sag warum / Camillo.

13.

 

Anastasia / Pat Boone.

14.

 

Suave é a noite / Tony de Matos.

15.

 

Une meche de cheveux / Adamo.

16.

 

Arlequim de Toledo / Angela Maria.

17.

 

Acercate mas / Los Machucambos.

18.

 

Ramona / Bachelors.

19.

 

Sorrow / Mort Schuman.

20.

 

Taras e manias / Marco Paulo.

 

Disco 2:

Os mais pedidos 1960-1990

1.

 

Power to all our friends / Cliff Richards.

2.

 

The Diary / Neil Sedaka.

3.

 

Bernardine / Pat Boone.

4.

 

Paloma blanca / The Fevers.

5.

 

Aprés toi / Vicky Leandros.

6.

 

Eloise / Barry Ryan.

7.

 

Gloria / Umberto Tozzi.

8.

 

Chuva dissolvente / Xutos e Pontapés.

9.

 

Never again / Classix Nouveaux.

10.

 

Easy come and go / Joker.

Coração apaixonado

11.

 

Merci chérie / Udo Jurgens.

12.

 

Dedicated to the one I love / The Mamas and The Papas.

13.

 

Monia / Peter Holm.

14.

 

Come te no c'é nessuno / Rita Pavone.

15.

 

Oh lady Mary / David Alexander Winter.

16.

 

Quando, quando / Tony Renis.

17.

 

Love is blue / Andy Williams.

18.

 

Ti amo / Umberto Tozzi.

19.

 

Quem é que nunca amou / Toy.

20.

 

Love changes (everything) / Climie Fisher.

21.

 

You're my heart, you're my soul / Modern Talking.

 

Disco 3:

Temas de dança inesquecíveis

1.

 

Tema de Lara / Ray Conniff.

2.

 

We shall dance / Demis Roussos.

3.

 

Dansons / Mort Schuman.

4.

 

Guitar tango / The Shadows.

5.

 

Tu vuo fa l'americano / Renato Carosone.

6.

 

Mustapha / Bob Azzam.

7.

 

Tintarella di luna / Al Rangone.

8.

 

La raspa / Los Machucambos.

9.

 

Llorando se fue / Son Caribe.

10.

 

Volare (nel blu di pinto di blu) / Gipsy Kings.

11.

 

Gotta go home / Boney M.

No ritmo da noite

12.

 

C'est la vie / Robbie Nevil.

13.

 

Reach out i'll be there / Gloria Gaynor.

14.

 

Lover boy / Billy Ocean.

15.Baila-me / Gipsy Kings.

16.Heart of glass / Blondie.

17.Daddy cool / Boney M.

18.Only for love / Limahl.

19.Mony mony / Amazulu.

20.Gypsy woman / Crystal Waters.

Disco 4:

A canção que dedico você

1.Mar de rosas / The Fevers.

2.Banho de lua / Celly Campelo.

3.Volta para mim / Roupa Nova.

4.O que é que eu faço / Joanna.

5.Espera um pouco um pouquinho mais / Nilton César.

6.A canção que dedico a você / Nelson Ned.

7.Ninguém é de ninguém / Miltinho.

8.Estúpido cupido / Celly Campelo.

9.Dona / Roupa Nova.

10.Pensando em minha amada / Chitãozinho e Xoróro.

Português romântico

11.Anel de noivado / Trio Odemira.

12.Pó de arroz / Carlos Paião.

13.Sempre que o amor me quiser / Lena d'Água.

14.Minha 5ª sinfonia / Paco Bandeira.

15.A mansarda / José Cid.

16.Nini dos meus 15 anos / Paulo Carvalho.

17.Au revoir Sylvie / Duo Ouro Negro.

18.Amo-te / José Alberto Reis.

19.Perco a cabeça / Marco Paulo.

20.Amanhã de manhã / Doce. 

Disco 5:

A festa da vida

1.A festa da vida / Carlos Mendes.

2.C'est ma fête / Richard Anthony.

3.Beautiful sunday / Daniel Boone.

4.Butterfly / Danyel Gerard.

5.It's my life / Talk Talk.

6.Ride my see-saw / The Moody Blues.

7.Alibabá / Doce.

8.Comment ça va / The Shorts.

9.Mirza / Nino Ferrer.

10.Hoje há festa / Lara Li.

Nostalgia

11.Não tenho lágrimas / Nat King Cole.

12. Buona sera signora / Louis Prima.

13.Diana / Paul Anka.

14.La partita di pallome / Rita Pavone.

15.Tell me bird / Sheiks.

16.L'oiseau et l'enfant / Marie Myriam.

17.Tres palabras / Los Machucambos.

18.Le lac majeur / Mort Schuman.

19.Boa sorte / The Fevers.

20.Ciao amore, ciao (li vidi tornare) / Luigi Tenco.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Música Portuguesa em 1998

Todos diferentes, todos iguais

Chegou a pensar-se o pior, mas as novas tendências do sucesso a pronto que se abateram sobre o mercado português não beliscaram a integridade dos seus veteranos. Xutos, GNR, Represas, Madredeus, Veloso ou Godinho, quase todos se salvaram no vórtice de crescimento da indústria musical em Portugal. Apesar de eles próprios não terem crescido.

Embora a tendência de anos precedentes já o indiciasse, 1998 pode bem ser recordado como o ano de afirmação incondicional do mercado musical português e das suas diversas formas mercantis. Não só se abriram novos paradigmas, de que a salvação pelo sucesso imediato constitui o exemplo mais visível, como se cristalizaram os anteriores, preservados pelos artistas ditos consagrados. Mais diferentes ou cada vez mais iguais, artistas há-os para todos os gostos, quando não há mercado que resista. E, como matéria rochosa que resiste à erosão, a velha militância musical portuguesa permanece bem viva num horizonte marcado pela ameaça de rápidas transformações.

1997 havia terminado com Paulo Gonzo e 1998 com Gonzo começou. O sucesso retumbante de "Quase Tudo" levou tempo a esmorecer, e só no final de Janeiro, depois de nove meses de permanência consecutiva, o álbum abandonou o top nacional de vendas da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP). O músico regressaria ainda este ano com "Suspeito", álbum veraneante que, sem ter conhecido o percurso comercial do seu antecessor, chegou para cravar por mais três meses o nome de Gonzo no top 30 nacional. Em dois anos, Paulo Gonzo permaneceu um total de 12 meses no pedestal das vendas portuguesas, expressão clarividente de longevidade de um artista que levou uma vintena de anos a compilar os seus primeiros grandes triunfos comerciais.

De pedra e cal continuam os Xutos & Pontapés, instituição jurássica do rock lusitano que surgiu em 1998 com dois novos trabalhos: "Tentação", conjunto de temas compostos para a banda sonora do filme com o mesmo nome, andou pelo meio da tabela durante dois meses, enquanto "Vida Malvada", "best of" que revisita os momentos mais significativos de uma carreira que se apresta a completar 20 anos, permaneceu durante mais de quatro meses no top e chegou a número quatro.

Luís Represas é de todos os consagrados aquele que aparenta ter mais motivos para sorrir. "A Hora do Lobo" confirmou o apetite do músico para as vendas a prazo, e, ainda que o álbum não tenha esboçado uma subida aos primeiros lugares do top, conservou-se nessa lista por oito semanas consecutivas. O grande triunfo de Represas em 1998 não passou contudo pela música.
Foi no campo da restauração que o também empresário mais se revelou, fundando o mais concorrido bar da Expo bem ali à beira Tejo. Nos dias em que a programação cultural no recinto se revelava desinteressante, nada como uma saltada ao Bugix e ao seu menu diário de mil facetas diferentes: passos de dança por cima das mesas, claustrofobia latente e o direito a participar em boas cenas de pancadaria constituem algumas das mais estimulantes experiências aí ocorridas.

Menos esfuziantes estiveram os GNR e os Madredeus. No primeiro caso, Reininho e os seus pares arriscaram um produto menos direccionado para o consumo de massas, e talvez essa seja a principal razão para o sucesso relativo obtido com "Mosquito". Ainda assim, o álbum permaneceu nos tops por mais de três meses, embora quase sempre afastado dos lugares cimeiros. Menos compreensíveis são os escassos números que acompanharam "O Porto", o segundo duplo álbum ao vivo lançado pelo conjunto português que mais vende além fronteiras. O sucessor de "Paraíso", registo que havia encerrado o exercício de 1997 com vendas superiores a 60 mil unidades, pouco mais logrou que escassos meses no fundo da tabela de vendas nacionais.

Com os Delfins a contemplarem dos céus o feito de serem a banda portuguesa que mais vende no seu mercado de origem, dois dos seus rostos mais influentes desceram à terra para mergulhar na produção em nome próprio. O primeiro foi Fernando Cunha, disposto a demarcar-se dos Delfins pela via de uma pose "rocker" que nem por isso lhe trouxe grandes dividendos: "Invisível", estreia a solo editada ainda no primeiro semestre de 1998, fez jus ao título no que a vendas diz respeito. Já o mesmo não serve para Miguel Ângelo, ícone sacrossanto da pop portuguesa que cada vez mais se tem vindo a revelar mediante fenómenos extramusicais. Dono de uma imagem que é já instituição televisiva, Ângelo totalizou não uma, não duas, mas três estreias em 1998: começou por transferir-se do canal líder de audiências para a televisão de serviço público, confirmando a sua vocação para alinhar no estrito lote dos convocados para horário nobre; depois, já em Novembro, carimbou de uma assentada a estreia literária com "A Queda de Um Homem (Ensaio para Romance)", e a estreia musical a solo com "Timidez", álbum orgulhosamente fiel à pop dos Delfins que ascendeu rapidamente a disco de ouro. Quem menos arriscou foi quem mais petiscou, e o apego ao bom nome da banda cascalense acabou afinal por soar mais alto.

Datam desta altura as duas últimas grandes aparições do ano da velha guarda lusitana. Bem do alto da milagrosa oliveira dos mercados e dos números, Rui Veloso e Sérgio Godinho continuam entretidos a explicar às criancinhas como consolidar instituições musicais em Portugal: fazendo o mesmo, com mais uns anitos em cima. O destaque vai para o primeiro, que, não contente por ter lançado um novo álbum de originais após três anos de interregno, o viu ascender de imediato aos lugares cimeiros do top nacional. "Avenidas" é já disco de platina, ocupando de momento o quarto posto do top de vendas da AFP. Mais comedido, Sérgio Godinho apostou numa revisitação da sua carreira em formato "live". Do encontro dos recentes concertos no portuense Rivoli e no lisboeta Ritz Clube saiu "Rivolitz", álbum que tem vindo a subir gradualmente para o grupo dos 15 primeiros e que é já disco de prata. Mas, agora que a fogueira da intervenção deu lugar ao paternalismo dos primeiros cabelos brancos, Sérgio Godinho é não só um excelente escritor de canções, mas também um não menos profícuo padrinho de possíveis candidatos ao lugar.

Os Silence 4 que o digam. Ângelo, Veloso e Godinho são os únicos nomes que à data desta edição permanecem no top 30 nacional, e, se a sua carreira comercial é ainda demasiado curta para análises que se pretendem objectivas, é contudo suficientemente esclarecedora para uma compreensão do fenómeno global da música popular portuguesa em 1998. A emergência de um novo paradigma industrial - o sucesso a pronto, no acto de estreia -, traduzido por bandas como os Silence 4 ou os Excesso, não obliterou a prestação comercial deste decano círculo de veteranos. Os portugueses compram cada vez mais discos portugueses, e o único fracasso passível de ser apontado aos artistas consagrados da praça lusitana é o de não terem sido arrastados nesta leva generalizada de expansionismo. As suas vendas podem não ter aumentado, o que num mercado em crescimento acelerado constitui só por si uma expressão negativa. Mas a estabilidade dos números e a coabitação em paralelo serão afinal o garante de que o futuro ainda é muito tempo.


Tiago Luz Pedro, Público, 31 de Dezembro de 1998

segunda-feira, 8 de março de 2021

ANOS 90 - Uma década de grandes êxitos

Não sou o único, Maravilhoso coração, Sou como um rio ou Ficarei são alguns dos temas que ocuparam o primeiro lugar dos tops nos anos 90. A colectânea Picos de Audiência é-lhes dedicada. Hoje, com o PÚBLICO

A fechar este regresso aos anos 90, Picos de Audiência é um disco de "megassucessos". Uns podem ser considerados gritos de tolerância ou hinos de mobilização em torno de uma causa. Outros são meros êxitos light que conquistaram multidões de adolescentes ou amantes de música romântica. Em comum têm o facto de fazerem parte da melhor década da indústria discográfica.Dez anos após a revolução de Ar de Rock, Rui Veloso apresentou o conceptual Mingos e os Samurais (1990). Tendo como primeiro single Não há estrelas no céu, o duplo álbum tornou-se rapidamente num êxito comercial que acabaria por alcançar a impressionante marca de sete discos de platina.

Veloso levou-o em digressão por Portugal até ao fim do Verão de 1991, interpretando ao vivo temas que assumiram o estatuto de clássicos, como A paixão (Segundo Nicolau da Viola) e O prometido é devido, agora reeditado.

Em 1991, saiu para a rua o disco de estreia dos Resistência. No duplo "platinado" Palavras ao Vento renasceram, em versão acústica, canções como Nasce selvagem, dos Delfins, ou Não sou o único, dos Xutos & Pontapés. Também Marco Paulo obteve grande êxito nesse ano com o controverso single Taras e Manias. O tema integrava a compilação Maravilhoso Coração, da qual também foi retirada a canção homónima, menos polémica, mas de igual sucesso.

Outro hit radiofónico do início da década foi Sangue oculto, um dueto dos GNR com o cantor espanhol Javier Andreu, dos La Frontera. O tema antecedeu o lançamento do álbum Rock in Rio Douro, que, por sua vez, contou com uma gigantesca operação promocional da Emi-Valentim de Carvalho. Estávamos em 1992 e, meses depois, os GNR tornavam-se no primeiro grupo português a actuar num estádio em nome próprio, ao pisarem o relvado do Estádio José Alvalade, em Lisboa.

Seguiram-se os "megassucessos" Sou como um rio, dos Delfins, e Não voltarei a ser fiel, dos Santos & Pecadores. Ambas as bandas de Cascais editaram trabalhos discográficos em 1995, mas enquanto os Delfins de Miguel Ângelo e Fernando Cunha tinham material suficiente para um best of - O Caminho da Felicidade reuniu 14 êxitos gravados entre 1987 e 1994 e dois inéditos -, os Santos ainda estavam a dar os primeiros passos, com o disco de estreia Onde Estás?

1996 foi o ano de mais um "supergrupo", os Rio Grande. O seu primeiro trabalho, homónimo, atingiu rapidamente vendas superiores a 40 mil exemplares, tornando-se disco de platina. No seu alinhamento, incluía 10 canções criadas pela dupla João Gil e João Monge, interpretadas pela voz de Vitorino, Jorge Palma, Tim ou Rui Veloso. Senta-te aí, por exemplo, é cantada por Palma.

Os últimos anos da década foram marcados pelo fanatismo adolescente em torno da boys band Excesso, que tiveram no tema Eu sou aquele o seu maior êxito, ou da dupla Anjos, que cantava e encantava com Ficarei.

Mas, em 1997, Dei-te quase tudo, de Paulo Gonzo, foi a grande protagonista, ao tornar-se na canção portuguesa mais tocada na rádio.

Entretanto, no limiar do novo milénio, Portugal unia-se em torno de uma causa e, inevitavelmente, as canções voltavam a ser arma de combate. De mãos dadas, o cordão humano que percorria o país juntava a sua voz aos Trovante: "Ai Timor/ se outros calam/ cantemos nós."

Público. 22 de Abril de 2007

quarta-feira, 10 de julho de 2019

As Vidas da Sua Música

Os nove álbuns da minha carreira são:

1 - Vida Sem Preocupações

A Minha Casinha dos Xutos & Pontapés
Efectivamente e Impressões Digitais dos GNR
Roque Santeiro
Invisible Touch dos Genesis
We'll Be Together do Sting
Still Loving You dos Scorpions

2 - Viver às Apalpadelas

Lambada dos Kaoma
Sangue Oculto, Ana Lee e Sub 16 dos GNR
Best Of dos The Doors

3 - Grandes Masturbadelas

Tieta
A Noite dos Resistência
Aquele Inverno dos Delfins
Álbum Negro (Metallica) dos Metallica

4 - Grandes Mudanças

Nevermind (todo) dos Nirvana
Vs. (todo) dos Pearl Jam
Terra Firme (todo) dos Trovante
Rádio Cidade é Bom

5 - Grandes Preocupações

A Noite Passada do Sérgio Godinho
Red Hot Chili Peppers (tudo o que encontrava)
Dunas dos GNR
Jorge Palma e Xutos & Pontapés ouvidos ao vivo
Lua, Fantasia e Tudo o que Eu te Dou de Pedro Abrunhosa e Bandemónio
Silence Becomes It (álbum) dos Silence 4
Mega FM desde o início
Close to Me e Just Like Heaven de The Cure

6 - Mudar e Sedimentar

Desireless (álbum) do Eagle-Eye Cherry
Fragmentos de Smashing Pumpkins
Hedonism e Brazen dos Skunk Anansie
Down Under dos Men at Work
Tudo e mais alguma coisa dos U2

7 - Idade de Ouro

Dreams dos Cranberries
Drive dos Incubus
Butterfly dos Crazy Town

8 - Classe Média Blues

Skank: todos os álbuns, todas as músicas
Tribalistas sempre, semper a rodar
Tom Jobim
Spicy Compaños del Pesto (ao vivo numa praia do Alentejo; tocar guitarra é mais fácil quando se está completamente bêbedo)
Sophie Ellis Bextor, Emma Bunton e Texas: singles
Simply Red e Seal (hits)
Lighthouse Family e Craig David: várias
Weather Report (best of)
Marisa Monte: tudo, em especial Beija Eu
Robbie Williams: quase tudo
Otis Redding (best of)
Coisa de Acender (álbum) do Djavan
This Love e She Will Be Loved dos Maroon 5
Rádio Ö3
Dragostea Din Tei dos O-Zone (duas ao dia)
Where Are We Runnin'? do Lenny Kravitz
Hang On Little Tomato (álbum) dos Pink Martini (obrigado Maria)
RRR: Rádio Rover Ricardo: As estradas das manhãs de Lisboa passam pelas nuvens.

9 - An Uncertain Future

Então não é que The Joker era cantada por um gajo chamado Steve Miller e que o raio da música tem um defeito de gravação??

Beyoncé é alto astral. Anastacia é uma mulher interessante.

Comprar o novo dos U2, comprar o best of da Gabrielle, comprar o último dos Xutos & Pontapés,
comprar qualquer coisa de que nunca tenha ouvido falar ao acaso.
Publicado por Ricardo 24/11/2004 à(s) 16:02
https://diasquevoam.blogspot.com/2004/11/as-vidas-da-minha-msica.html

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Anos 90


Uma década de grandes êxitos

Não sou o único, Maravilhoso coração, Sou como um rio ou Ficarei são alguns dos temas que ocuparam o primeiro lugar dos tops nos anos 90. A colectânea Picos de Audiência é-lhes dedicada.
A fechar este regresso aos anos 90, Picos de Audiência é um disco de megassucessos. Uns podem ser considerados gritos de tolerância ou hinos de mobilização em torno de uma causa. Outros são meros êxitos light que conquistaram multidões de adolescentes ou amantes de música romântica. Em comum têm o facto de fazerem parte da melhor década da indústria discográfica.
Dez anos após a revolução de Ar de Rock, Rui Veloso apresentou o conceptual Mingos e os Samurais (1990). Tendo como primeiro single Não há estrelas no céu, o duplo álbum tornou-se rapidamente num êxito comercial que acabaria por alcançar a impressionante marca de sete discos de platina.
Veloso levou-o em digressão por Portugal até ao fim do Verão de 1991, interpretando ao vivo temas que assumiram o estatuto de clássicos, como A paixão (Segundo Nicolau da Viola) e O prometido é devido, agora reeditado.
Em 1991, saiu para a rua o disco de estreia dos Resistência. No duplo "platinado" Palavras ao Vento renasceram, em versão acústica, canções como Nasce selvagem, dos Delfins, ou Não sou o único, dos Xutos & Pontapés. Também Marco Paulo obteve grande êxito nesse ano com o controverso single Taras e Manias. O tema integrava a compilação Maravilhoso Coração, da qual também foi retirada a canção homónima, menos polémica, mas de igual sucesso.
Outro hit radiofónico do início da década foi Sangue oculto, um dueto dos GNR com o cantor espanhol Javier Andreu, dos La Frontera. O tema antecedeu o lançamento do álbum Rock in Rio Douro, que, por sua vez, contou com uma gigantesca operação promocional da Emi-Valentim de Carvalho. Estávamos em 1992 e, meses depois, os GNR tornavam-se no primeiro grupo português a actuar num estádio em nome próprio, ao pisarem o relvado do Estádio José Alvalade, em Lisboa.
Seguiram-se os megassucessos Sou como um rio, dos Delfins, e Não voltarei a ser fiel, dos Santos & Pecadores. Ambas as bandas de Cascais editaram trabalhos discográficos em 1995, mas enquanto os Delfins de Miguel Ângelo e Fernando Cunha tinham material suficiente para um best of - O Caminho da Felicidade reuniu 14 êxitos gravados entre 1987 e 1994 e dois inéditos -, os Santos ainda estavam a dar os primeiros passos, com o disco de estreia Onde Estás?
1996 foi o ano de mais um supergrupo, os Rio Grande. O seu primeiro trabalho, homónimo, atingiu rapidamente vendas superiores a 40 mil exemplares, tornando-se disco de platina. No seu alinhamento, incluía 10 canções criadas pela dupla João Gil e João Monge, interpretadas pela voz de Vitorino, Jorge Palma, Tim ou Rui Veloso. Senta-te aí, por exemplo, é cantada por Palma.
Os últimos anos da década foram marcados pelo fanatismo adolescente em torno da boys band Excesso, que tiveram no tema Eu sou aquele o seu maior êxito, ou da dupla Anjos, que cantava e encantava com Ficarei.
Mas, em 1997, Dei-te quase tudo, de Paulo Gonzo, foi a grande protagonista, ao tornar-se na canção portuguesa mais tocada na rádio.
Entretanto, no limiar do novo milénio, Portugal unia-se em torno de uma causa e, inevitavelmente, as canções voltavam a ser arma de combate. De mãos dadas, o cordão humano que percorria o país juntava a sua voz aos Trovante: "Ai Timor/ se outros calam/ cantemos nós."

22/04/2007

C.01 –GNR / Javier Andreu Sangue Oculto
C.02 –Resistência Não Sou O Único
C.03 –Rio Grande Senta-te Aí
C.04 –Rui Veloso O Prometido É Devido
C.05 –Santos E Pecadores* Não Voltarei A Ser Fiel
C.06 –Paulo Gonzo Dei-te Quase Tudo
C.07 –Delfins Sou Como Um Rio
C.08 –Excesso Eu Sou Aquele
C.09 –Anjos Ficarei
C.10 –Marco Paulo Maravilhoso Coração
C.11 –Trovante Timor (Ao Vivo)

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Biblia dos Anos 80

Uma década tão revivida nos dias de hoje tem, finalmente, um livro que a retrata como nunca. João Pedro Bandeira viveu de perto essa década, tão vibrante e entusiasmante, condensou em 230 páginas o que ficou dos anos 80: na música, no cinema, na televisão, no desporto, na moda e na política, na tecnologia, na ciência e nos costumes. Os objectos, os jogos e os hobbies que nos marcaram. Tudo em textos curtos, com muitos quadros de fácil consulta. O mais importante, mas também o mais curioso, o mais engraçado, o mais estranho ou mais surpreendente. Nem princípio nem fim.

Para facilitar a leitura, criaram-se 12 "colecções":

- Bonecada: os desenhos animados da década;
- Cassete: as músicas que dominaram os topes em Portugal;
- É bom, não foi: os artistas que viveram um único grande êxito;
- E o vencedor é: as listas dos vencedores de grandes prémios;
- Entre aspas: frases que ficaram da década;
- Grande ecrã: os filmes marcantes;
- O que é feito de: onde param alguns protagonistas dos 80s?
- O verdadeiro nome de: tal como está no BI de muitos artistas;
- Quadro de programação: os grandes programas de televisão;
- Reclames: a publicidade da época;
- Telex: factos, em apenas uma linha;
- Séries em TV: as séries imperdíveis da televisão.

Biblia dos Anos 80 - José Pedro Bandeira (Prime Books, 2010)
http://www.rtp.pt/icmblogs/rtp/manhas-da-3/?k=Biblia-dos-Anos-80.rtp&post=27171


Uma década tão presente e revivida nos dias de hoje tem, finalmente, um livro que a retrata como nunca, preenchendo um vazio existente no nosso meio literário. Um jornalista que viveu de perto essa década, tão vibrante e entusiasmante, condensou em mais de 200 páginas o que ficou dos anos 80: na música, no cinema, na televisão, no desporto, na moda e na política. Na tecnologia, na ciência e nos costumes. Os objectos, os jogos e os hobbies que nos marcaram. Tudo em textos curtos, com muitos quadros de fácil consulta. O mais importante, mas também o mais curioso, o mais engraçado, o mais estranho ou o mais surpreendente. Sempre com o rigor da informação e dos números. Um livro de mesa-de-cabeceira, para juntar a outros três títulos desta colecção já editados, e com grande sucesso, pela Prime Books: "Bíblia do Benfica", "Bíblia do Sporting" e "Bíblia do FC Porto". Com a mesma receita: reúne o essencial e mostra o mais apetecível. Não tem ordem nem método. Nem princípio nem fim. Rui veloso, autor do disco português que desbravou todos os caminhos da nossa música moderna, e ele próprio um símbolo da geração dos 80, assina o prefácio.

Wook

exemplos:

http://bibliadosanos80.wordpress.com/2011/01/30/cliff-richard-dreamin/

http://bibliadosanos80.wordpress.com/2011/01/25/uhf1981/

http://bibliadosanos80.wordpress.com/2011/02/17/blondie-em-portugal/

terça-feira, 22 de abril de 2014

A última vontade

Já passa da uma da manhã. A minha mulher continua sem aparecer e a gata Genoveva não pára de me lamber os calcanhares como se fossem gelado de limão. Dantes, as coisas e as pessoas eram muito mais simples, mas a tecnologia transformou tudo. Até as gatas. Escureço aos poucos na calma idílica dos subúrbios enquanto Ian Dury, preso nas ondas da telefonia, continua a sussurrar o seu convite: «Walk up and make love with me.» Não entendi ainda se será uma alusão discreta à minha mulher ou à gata mas, bem vistas as coisas, vai dar ao mesmo.

Ian não se preocupa e vai por aí, como se fora um fantasma de Régio em busca de horizontes proíbidos. Nota a nota, dedo a dedo, quase literariamente. Os tempos de «Sex and drugs and rockn'roll» são hoje uma leve imagem do passado quando ainda havia tempo para sonhar. Quando a juventude era um acto irreverente a caminho do futuro. Pelo que me diz respeito, perdi de vez os sonhos e as ilusões. Já não duvido sequer de que a minha gata - disse-vos já que se chama Genoveva - nunca vai ser a protagonista da «Tragédia da Rua das Flores», nem sequer em versão soft-cora de um grupo amador da Pampilhosa. Alguns amigos tentam ainda convençer-me de que isso acabará por acontecer, mas esgotei todas as esperanças. A pobre Genoveva está inevitavelmente condenada a nunca passar de raticida com patas.

Dizem-me, no entanfo, que nem tudo está perdido. E apontam-me como alternativa a música dos Duran Duran. A custo faço por ouvir. Como seria possível viver sem os Duran Duran? Como poderia suportar a infidelidade da minha mulher e as lambidelas teimosas da minha gata, se não fossem os Duran Duran? Como acordaria amanhã se os Duran Duran não existissem? Sem os Duran Duran, a minha passagem pelo mundo dos vivos ficaria inevitável e indefinidamente votada ao desencanto e à mais cruel das amarguras, à lágrima de quem vê pela última vez a mirífica paisagem de um oásis imarcessível e quedo como as cataratas do longínquo Niagara.

Mas há os Duran, pois. E, com um pouco de sorte, pode até ser que Reagan, Andropov e Kim Il Sung acabem por se entender e estabeleçam um reino universal duradouro. Pode ser que D. Sebastião não tenha morrido e que Vasco volte, um dia destes, do meio da neblina. Pode ser, enfim, que o general presidente seja um gajo porreiro e o nosso capataz acabe finalmente com a merda da crise. Coitada da crise. Penso nela e não consigo esquecer a minha pobre Genoveva que nunca será Lurdes Norberto.

Se ao menos o senhor Nicholson lhe arranjasse um lugarzinho nas «Origens»... Nem que fosse como dama de companhia da Sra. D. Helena Isabel. Assim como assim já estou por tudo. Eu e a minha mulher, coitada, que anda por aí aos caídos, à espera que um de nós tome a iniciativa de partir para o Lesotho. Só ainda não o fiz porque sou um tipo pouco dado a aventuras. A fé no Além e os manuscritos do jovem Marx de 1844 têm sido os meus sustentáculos, mas agora já nem isso resulta.

O meu amigo Viriato pediu-me que lhe escrevesse o comentário para o Roteiro de Discos, na esperança de me elevar a moral, que já atingiu uma cotação inferior à do escudo. Faço as derradeiras tentativas. Primeiro com o disquito dos Da Vinci, que mão alarve por aqui deixou. «Caminhando», dizem eles, e fica-me a dúvida sobre se já terão chegado à beira do abismo ou se começaram a partir daí. Falam de Hiroshima e de Lisboa no ano 10.000. Felizmente já cá não estarei para ver como é. Tento, de seguida, os Mezzoforte. O som é óptimo, a execução perfeita, a força incrível. E seria ainda melhor se não fosse esta história da minha mulher e a língua áspera da Genoveva que optou agora pelo meu tornozelo direito.

Regresso a Ian Dury, enquanto o prato do gira-discos continua a girar, em seco. Eu também. Espero apenas que o Espírito Santo, os três pastorinhos e o dr. Kalinine cuidem do meu espírito e tratem bem da Genoveva. Se possível que a apresentem a alguém da Edipim onde, mesmo que não resulte como actriz, poderá vir a ter sucesso como intérprete feminina da 149ª versão de «Quando o Coração Chora». A Genoveva, coitada, que tão bem sabe miar em lá menor. Abraço-vos.

EDGAR HI FI

«Foram estas as últimas palavras que escreveu antes de se pendurar pelo pescoço na barra da cama. Tinha 24 anos, o serviço militar cumprido e dizem que só se entendia bem com os cães vadios...» (de uma reportagem de José Jorge Letria, publicada em «Até ao pescoço», suplemento especial de «O Diário»).
Viriato Tels, Se7e, 15/Jun/1983